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quinta-feira, julho 31, 2003

Suicídio com bilhete

“As pessoas vivem sempre juntas, todas, mas a opressão externa, subtil e dissuasora, exercida sobre a sua inteligência, impele-as ao espírito de fronteira. Creio que a própria estupidez é uma forma de tirania imposta”. In “Elegia para um caixão vazio”, de Baptista-Bastos

E quando a estupidez abafa a respiração saudável, o “espírito de fronteira” é, também, uma forma de sobrevivência.
Vinte e um dias depois de ter nascido, “Memória de Peixe” suicidou-se.

segunda-feira, julho 28, 2003

A banhos

Fim de linha. Fim de corrida. O autocarro percorreu toda a sua linha e, à noite, recolhe à estação. Vai a banhos. Mas regressa.

sexta-feira, julho 25, 2003

Que nojo de Mundo!

Os repórteres de imagem passaram-se! Ou melhor, os seus editores, chefes acima destes, directores, sei lá quem mais...
Passei a tarde a ser bombardeado no terminal do computador com fotografias dos corpos de Udai e Qussai, os filhos de Saddam Hussein que os Estados Unidos da América conseguiram matar em Mossul. É preciso convencer o Mundo de que os estes dois já não fazem mal a ninguém, e por isso convém ser realista: até lhes fizeram uma reconstrução facial, para que os iraquianos acreditem, como S. Tomé, que aqueles dois são mesmo Udai e Qussai!
Do que eu não precisava era de ver tantas fotos de gente completamente retalhada e esventrada - pior nem mesmo na Monróvia - com a agravante de as televisões, ou melhor, os tais editores, chefes acima destes, directores, sei lá quem mais, também se terem passado, porque resolveram emitir prolongadamente as tais imagens do necrotério improvisado.
Tudo isto, parece-me, só pode ser explicado com um qualquer inexplicável prazer mórbido.
Que nojo de Mundo!

P.S.: só espero não ser surpreendido, amanhã, com as mesmíssimas imagens pespegadas em papel de jornal!

quinta-feira, julho 24, 2003

Carlos de Oliveira

O JL-Jornal de Letras, Artes e Ideias recupera, na última edição, um dos dez extraordinários desenhos de João Abel Manta produzidos propositadamente para as dez primeiras capas da publicação.
Capas únicas na história contemporânea de toda a imprensa, nacional e internacional, de especialidade ou não, dedicadas a dez autores dos mais poderosos que a Literatura Portuguesa produziu.
Carlos de Oliveira é um deles. Merecia ser lido e estudado. Em defesa da Língua Portuguesa, e do rigor que ela exige.

Adeus TSF!
Carlos Andrade pediu a demissão da TSF, ao que tudo indica, porque os planos da Administração para o futuro próximo da estação passa, entre outras coisas, pela redução do quadro de pessoal, que já estaria no limite do aceitável, no osso. José Fragoso aceitou substituir Andrade e ficar com o ónus do plano de despedimentos assumido por Henrique Granadeiro.
Sabendo o que se passou no JN e no DN, vendo a transfiguração das publicações do grupo PT nestes últimos tempos, não me restam dúvidas: adeus TSF!
Claro que a TSF não vai fechar, que em cada 30 minutos a Informação estará em antena, e por aí fora, mas a rádio-notícias que todos, todos, aprendemos a admirar, gostássemos ou não de a ouvir, acabou. Dentro de meio ano, se os prazos de Granadeiro estiverem certos, acabou a TSF que conhecemos.
Lamento.

terça-feira, julho 22, 2003

Como?

Por questões de higiene mental, cumpro religiosamente o passeio diário pelos blogues favoritos – sobretudo, ABRUPTO, Apenas um pouco tarde, Aviz, Cerco do Porto, O Meu Pipi, Outro, eu, Terras do Nunca, Textos de Contracapa, VIADUPLA, Não Esperem Nada de Mim e 30 segundos –, antes mesmo do computador chegar a aquecer, e interrogo-me: como conseguem eles ter uma produção tão abundante?; como conciliam a vida profissional, a participação cívica e a vida pessoal? É tudo arte e engenho? Qual será o truque?

segunda-feira, julho 21, 2003

Branquinho é, galinha o põe!

Memória de Peixe garante que não tem nada com o assunto, que até foi apanhado distraído, mas quer partilhar com os amáveis leitores mais um momento de riso a bom rir, com as aventuras e desventuras do inenarrável Agostinho Branquinho. Sob o título em epígrafe, o JN publicou, ontem, uma crónica de um tal César Oliveira, militante do PSD, que nos dá mais matéria para reflexão.
Para os mais preguiçosos no link, aqui vai:

"No "Jornal de Notícias" de 18 de Julho de 2003, um dos seus cronistas habituais, o senhor Agostinho Branquinho, insulta o presidente da Câmara de Gaia, visando negativamente aspectos da sua personalidade e do seu carácter, num artigo que quero, aqui e agora, contestar e censurar.
Autor de textos semanalmente vazios de conteúdo, o citado senhor devia ter a coragem de assumir frontalmente o seu actual estatuto e de tornar pública a forma como subiu na vida.
Comecemos pela primeira questão: o actual estatuto político e profissional do senhor Branquinho. Assinando as suas crónicas como gestor de empresas, omite que, entre essas empresas, estão as empresas públicas, como a Casa da Música e Teatro do Campo Alegre.
Esse senhor esconde, assim, que mais não é que um "boy", que ganha centenas de milhares de contos à custa de se encostar a diversos detentores do poder. Assim, não seria de esperar outra atitude pública de quem tem receio de perder mordomias.
Quanto à segunda questão: como subiu na vida e terá enriquecido o senhor Branquinho? Vou só citar alguns exemplos dos expedientes usados: será verdade que começou a sua carreira de sucesso (?!!!) empresarial ligada ao monopólio de prestação de campanhas de marketing e publicidade a diversos organismos governamentais? Será que, durante a última década, facturou dezenas de milhares de contos na prestação de serviços do mesmo tipo a dezenas de câmaras municipais de maioria social-democrata, incluindo a Câmara de Gaia? Será que, durante o mesmo período de tempo, numa louvável (?!!!) atitude de militância partidária, facturou mais umas centenas de milhares de contos a dirigir campanhas eleitorais do seu próprio partido? Será que, fazendo fé na tal genuinidade de carinho partidário, é conhecido pelos custos extravagantes com que onerou campanhas social-democratas?
Quanto à tentativa de reescrever a história, é uma tentativa vã, porque o povo não é estúpido nem cego. O tal dr. Menezes foi só o líder do PSD/Porto que, em 1990, herdou uma estrutura partidária liderante em somente três dos 18 municípios do distrito do Porto e abandonou funções, de livre vontade, em 2002, deixando os social-democratas à frente de 11 dos 18 municípios do distrito, de seis das nove câmaras da Área Metropolitana do Porto e com a presidência da respectiva Junta. O dr. Luís Filipe Menezes foi, ainda, a votos, em 1997 e 2001, vencendo as eleições com mais de 60%, num território social e politicamente adverso ao seu partido. Quanto à obra feita em Gaia, ela é evidente. Só para exemplificar, dado que a lista era quase interminável: os 16 km de bandeiras azuis, a melhor rede de saneamento básico do país, a reabilitação da orla ribeirinha, os milhares de fogos de habitação social construídos, os equipamentos desportivos de excelência, etc.,etc.,etc., estão entre as muitas coisas que falam por si. E qual a obra pública do senhor Branquinho?
Em contraste com o senhor Branquinho, não tenho problemas em assumir a minha posição: sou um apoiante político convicto e leal do presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, cuja obra colocou Gaia no mapa e cujo perfil de político e homem continua a merecer o apreço e o carinho da esmagadora maioria dos gaienses, que pública e permanentemente o demonstram.
Em contraste com esse senhor, a minha qualidade de dirigente e militante partidário inibe-me de tecer qualquer tipo de considerações sobre a personalidade e o carácter de outros políticos detentores de poderes autárquicos.
Senhor Branquinho, é melhor, para todos e para o PSD, ficarmos por aqui!"

quinta-feira, julho 17, 2003

Proposta

Se tiver de haver, um dia, definição para o que se faz na blogosfera, tomo a liberdade de apresentar como proposta o “Não, não tem título” do Aviz
Cum caraças, um gajo também tem de descansar

Já não se pode resfolegar um pouco que, na primeira oportunidade, pumba!, pumba!, leva-se logo na cabeça. Pumba!, que os blogues se alimentam todos os dias; pumba!, que da polémica nasce a luz; e por aí fora, com mais pumba!
Cum caraças, um gajo também de descansar, sentar o traseiro numa cadeira de palhinha, puxar do cigarro e beber um bom whisky, enquanto mantém a leitura em dia. Olhem que não faz mal!

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